sábado, 6 de fevereiro de 2010

Avatar


“James Cameron é o gato. Os espectadores são os ratos. O filme é a ratoeira... o visual é o queijo.”

VICTOR TANAKA


James Cameron é um dos nomes mais comentados das últimas semanas. Mais comentado até que as próprias celebridades Angelina Jolie e Brad Pitt. Mas por que tanto interesse nesse diretor que pode ser considerado como “competente”? Por quê ele dirigiu a franquia O Exterminador do Futuro? Por quê ele dirigiu True Lies? Ou por que dirigiu o mega sucesso de bilheteria e um dos recordistas de Oscar Titanic? Nenhuma dessas respostas. A resposta correta é que, na época de seu lançamento, Avatar foi o filme mais comentado do planeta.

Jake Sully é o personagem menos carismático do filme, porém o principal, que deve substituir seu falecido irmão nas pesquisas dos cientistas sobre o descoberto planeta Pandora. Lá, vivem os Na’vi, e descobrir a cultura daquela civilização é o estudo dos cientistas. Jake é o escolhido para se infiltrar nos habitantes do planeta para estudar seus costumes. Porém, os estudos dos humanos começam a ser atrapalhados, quando Jake se apaixona por uma Na’vi, começa a se sentir aceito por eles e tenta protegê-los dos humanos.

Durantes quase três intermináveis horas, somos obrigados a aturar esse filme. Mas o que há de tão impressionante em Avatar? O visual. Os efeitos visuais são revolucionários, maravilhosos, as cenas de ação são esplêndidas, riquíssimas em explosões e tudo relacionado à visão nesse filme é ótimo. Porém acaba aqui.

Se ao menos tivessem pensado em escrever algum roteiro para colocar todas essas explosões, as coisas teriam ficado diferente. Mas James Cameron decidiu escrever qualquer coisa, afinal, com um visual tão sensacional, para quê serve o roteiro, a essência do filme? Para quê o filme precisa ter uma história original? Cinema não é isso, e como James Cameron deve saber, basta colocar um romancezinho, uns humanos malvados, uns animais voadores gigantes e, é claro, as explosões, as lutas, todo o visual maravilhoso. Então, para quê uma história?

Fato! Muitos caíram na armadilha de James Cameron. Muitos espectadores desatentos, inocentes ou cansados caíram na armadilha prepara para a raposa astuta James Cameron. Até aí, tudo bem, afinal, sempre há filmes sem conteúdo algum em que as pessoas desatentas, inocentes ou cansadas acabam gostando por cair numa armadilha. Porém, o que muitos não contaram era que as premiações também caíram na armadilha. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas indicou o filme a 9 Oscar, enquanto o Globo de Ouro já lhe deu o prêmio de Melhor Filme. Cameron conseguiu mais uma vez.

Além de tudo isso, o posto de maior bilheteria do mundo – que pertencia à Titanic, do mesmo diretor – foi ultrapassado pelo filme superestimado. Cameron bateu seu próprio recorde. Avatar se tornou um sucesso. O filme clichê, cara de pau, sem graça e pretensioso de maior sucesso no cinema. Cameron é uma raposa astuta.

O filme é muito mal interpretado. Os atores estão mais preocupados em ganhar dinheiro do que em fazer o filme. Sam Worthington, o ator principal, interpreta o personagem mais detestável, sem carisma, arrogante e idiota do filme todo. Mas a culpa não é toda do personagem, é claro. Zoe Saldana pode ser considerada a menor pior. Passando o filme todo em sua forma de avatar, é a única que não faz o elenco parecer totalmente constrangedor. Viva Saldana! Nunca imaginei que fosse dizer isso um dia.

Mas como eu costumo falar desse filme... CALMA! Nem tudo está perdido! Afinal, tem Sigourney Weaver! Vivaaaaaaaaaaaaaaa! Trabalhando bem como sempre! Vivaaaaaaaaaaaa! Pena que sua personagem tenha sido tão mal aproveitada! Nãããããããããão! Sim, a salvação foi por água abaixo. E quem acha que termina por aí, está redondamente enganado. Há o fortão e malvado Stephen Lang, mostrando que bota ordem no barraco. Tentando dar uma de cruel e poderoso, consegue apenas se tornar ridículo, besta, vagabundo e bêbado. Outro personagem mal construído e forçado, que não deveria existir. O resto do elenco é tão inútil durante a trama toda, que nem dá vontade de comentar. Além de inúteis, são maus atores. Que elenco bom!

A trilha sonora do filme é horrorosa, para não dizer outra coisa. Mas a direção de arte e a fotografia são boas. É óbvio! Elas fazem parte do visual, que é a única coisa que importa durante suas cansativíssimas duas horas e quarenta minutos.

A direção pretensiosa e inconveniente de Cameron é o que mais irrita durante todo o filme. Dá para se ver claramente que foi feito para ser sucesso de bilheterias e ganhar prêmios. As cenas são forçadas ao extremo e as situações são superestimadas demais. Uma goteira no teto da caverna de um Na’vi já é motivo de todos os outros se reunirem e lutarem contra uma enchente que surge do nada e todos têm que se salvar e lutar contra a água para sobreviver. Claro que isso não acontece (até porque seria absurdo demais), mas é um exemplo da safadeza inteligente de James Cameron.

Bom, o filme pode até parecer ruim ao extremo, com clichês do começo ao fim e uma tentativa falhada de drama (e essa última característica acontece mesmo), mas o visual vale pelo filme todo. Por todos os erros, inconveniências, chatices e mal interpretações, pois como eu disse, a parte visual é simplesmente fantástica! Pena que não consegue salvar tudo o que James Cameron não aproveitou e estragou.

O gato quer pegar o rato. Portanto, usa uma armadilha, uma ratoeira para atrair o pobre animal. Mas como vai atrair o rato para armadilha? Usando um pedaço de queijo. Nesse caso, Cameron é o gato. Os espectadores são os ratos. O filme é a ratoeira... e o visual é o queijo.
por Victor Almeida Tanaka

Nota: 4/10

3 comentários:

Vinícius Cavalheiro disse...

*o*
Estou virando importante kkkkkkkk

Ta muito bom o texto, Victor! Parabéns!

Amenar disse...

Venho a parabenizá-lo pela frase inicial. Acho que era o que eu queria falar esse tempo todo, só não sabia como.

Victor Tanaka disse...

Obrigado, Amenar. Muito obrigado mesmo.

E obrigado também, Vini. Eu quis colocar logo essa frase porque concordo com tudo o que está escrito nela. ;D