domingo, 2 de maio de 2010

Uma história cinéfila

Uma história cinéfila
por Victor Almeida Tanaka

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Júlia e Matilda eram amigas com dinheiro. Eram duas meninas malvadas. Em um dia de cão, elas estavam aprenciando o sol da meia-noite, quando apareceu o padrasto da vizinha, com uma máscara mortal, e disse:
- Deixe ela entrar!
As amigas não entenderam e acharam que ele era apenas um louco apaixonado pela insanidade e o ignoraram. Ele prsseguiu:
- Fale com ela!
Júlia ia reclamar, quando Matilda disse:
- Esse mundo é um hospício! A vida é bela e a felicidade não se compra.
O louco gostou da filosofia e disse:
- Estou louco por você.
- Nunca fui beijada. - disse ela, jogando uma indireta.
- Que tal irmos ver a última sessão de cinema?
- Prefiro ficar em casa..
- Gosto de cereja, mas ninguém pode saber.
- Você é tão bonito.
- Que tal um ritual dos sádicos?
- Beija-me, idiota. - ela reclamou, perdendo a paciência.
Ele foi beijá-la.
- Beijo na boca, não.
- Você é uma garota infernal.
Ele lhe deu um beijo da morte no rosto.
- Agora seremos felizes.
- Vamos marcar nosso casamento grego?
- Eu preferia um um casamento original.
- Tudo bem... no ano que vem- brincou ele.
- Estou encantada. Nós dois formamos um casal do barulho. No ano passado, em Marienbad, eu ia me casar, mas não tive com medo. Todos gritavam "Socorro! Noiva em Fuga! Não a deixem escapar". Mas eu desejei feliz natal para os produtores  de teatro que me encontraram. Eles viram que eu tinha talento. E assim, nasce uma estrela.
- Você já cantou profissionalmente?
- Sim. E foi no planeta dos vampiros, em Munique e em Dogville.
Júlia prosseguiu:
- Eles eram loucos por ela. Mas depois ela acabou fracassando. Agora fale de você.
- Eu tinha um amigo chamado Brian. Escrevi um livro contando a vida de Brian.
- Ah, você já foi escritor?
Sim, escrevi 1408 livros. O crepúsculo e uma noite no museu me trazem inspiração. Mas quero ser mais que isso, eu quero ser grande.
- Falando nisso, qual é o seu nome?
- Marty, mas todos me chamam de Chaplin porque sou o rei da comédia. Até fiz muito sucesso uma vez. Aconteceu em Woodstock.
- Interessante.
Neste momento, apareceu um terrível fantasma, o fantasma da ópera. Ele era um terror na ópera, por isso derrubou no palco o candelabro italiano. Além disso, a jovem Christine, o carro assassino, por quem era apaixonado, não lhe deu bola. Ele disse, com sua voz rouca:
- À meia-noite levarei sua alma! Esta noite encarnarei no teu cadáver.
O estrangeiro louco ficou paralisado de medo, enquanto as branquelas Matilda e Júlia gritaram de medo. Mas uma vez na vida Matilda tomou coragem e disse:
- Eu vou chamar os caça-fantasmas.
- Ah, é? Então eu vou te levar agora.
- Do mundo nada se leva. - disse ela. - Nunca é tarde para amar e não é só porque eu tenho 98 anos que vou ir embora tão cedo.
O fantasma foi embora chorando.
- A morte passou por perto. - disse Marty. - Ainda bem. Bom, já temos todo o nosso futuro planejado. Vamos comprar a casa monstro, a loja da esquina e o submarino amarelo.
- Isso mesmo. Adeus, Julia.
- Adeus, Matilda! Adeus, Marty! Adeus, Lênin.
- Quem?
- Esquece. Foi só uma grande lembrança do brilho eterno de uma mente sem lembranças.
- OK. Mas antes, Julia, o que você fará sem mim para te ajudar?
- Meu amigo me dará o circo e eu farei sucesso com a fuga, a raiva, a dança, a bunda, a boca, a calma, a vida da mulher-gorila. Vai ser legal.
- Tudo bem. Adeus!
- Tchau! Vamos embora com o Herbie, meu fusca turbinado. Ah, se meu fusca falasse... Ah, se minha cama voasse... Ah, se meu apartamento falasse... Vamos.
Os dois foram embora. Julia só ficou vendo-os se afastarem a caminho do céu de outubro.
- É... esse mundo é um hospício.

Victor Almeida Tanaka

 

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