quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Cinema Antigo? Estou fora!

Victor Tanaka

A grande massa que cresce hoje tendo aversão a filmes considerados de outra época é assustadoramente triste. É frustrante até para nós, cinéfilos, sabermos que filmes como Quanto Mais Quente Melhor, A Malvada, O Grande Ditador, Minha Bela Dama, 2001 e etc. - para citar alguns exemplos - NUNCA serão vistos por essas pessoas. E qual é a razão disso?

Existem, como todos sabem, vários tipos de preconceito. E dele ninguém está livre, seja preconceito relacionado à cor, orientação sexual, nacionalidade e condição financeira. Nas artes, destaca-se o preconceito com qualquer obra que seja antiga, tanto um filme quanto uma música ou um álbum, um livro...
Cansei de contar o número de pessoas que já me contaram que fogem dos filmes em preto e branco por "n" motivos. O principal argumento apresentado é "porque eles são velhos". Pessoas dizem que filmes antigos são para "gente velha" ver. Como se todos só pudessem desfrutar das obras que são lançadas no tempo em que vive, certo?

Sabe-se lá quando e onde surgiu esse pensamentinho pequeno que se alastra por todo o mundo, de que filmes antigos não devem ser assistidos por serem ultrapassados ou erroneamente tachados como sinônimo de "brega". Todo mundo sabe quem um bom filme é atemporal e resiste quanto tempo for. Porém, ele não tem culpa se uma corrente de mentes pensam dessa forma tão estúpida.

O que define a qualidade é a idade do filme? Isso é o mesmo que dizer que pessoas de outra cor possuem um cérebro menor. Um dia, o filme já foi novo. O tempo foi tirando a qualidade dele - as atuações, os pontos positivos do roteiro e da direção? Daqui a quarenta anos, As Branquelas também será um filme velho e as pessoas dirão o mesmo: "Não vou ver. É velho. Deve ser chato. Tudo o que é velho é chato. Vou tomar um sorvete e assistir a 567ª continuação de Jogos Mortais). E as pessoas que gostam de As Branquelas saberão o que estou dizendo hoje.

O que mais provoca esse olhar para o passado, todos nós sabemos, foram as mudanças. Os tempos mudaram, as pessoas mudaram, a inocência foi se perdendo pelos becos do esquecimento. Crianças não ouvem Xuxa, dançam funk. Pré-adolescentes não brincam de bonecas, vão arrumar namorado na porta da escola. Hoje, filmes que conseguem sobreviver sem fazer referência a sexo, violência ou que não abusa de piadas de fácil entendimento, atraem essa aversão da massa alienada. Por que essas comédias-sátira lançadas ao monte todos os anos - Deu a Louca em Hollywood, Super-herói: A Linga da Injustiça e Uma Comédia Nada Romântica e companhia - fazem tanto sucesso? Porque a piada vem pronta, toda mastigada e não exige que as pessoas pensem. Pensar. O problema não é com os filmes. É com as pessoas. 

E não podemos terminar esse texto sem comentar aqueles obcecados por efeitos visuais. "Que se dane o roteiro. Eu quero efeitos visuais". E boom! Estoura Transformers na bilheteria! A falta de tecnologia do passado é vista como uma piada e um bom motivo para o filme não ser visto.

E quanto mais o tempo passa, mais penso como os pensamentos dos humanos podem estar ficando tão menores e desprezíveis. Entende agora o que Norma Desmond quis dizer, em 1950, com o filme que a eternizou no cinema, com "Eu sou grande. Os filmes é que ficaram pequenos."?



2 comentários:

Anônimo disse...

A nós, cinéfilos, só resta transformar essas pessoas, que nunca viu um Laranja Mecânica ou um Psicose da vida, é porque não gosta de cinema, o pior de tudo é que como os lixos que você citou arrecadam bilhões no mundo inteiro, tornando-se referências de baixíssimo nível para a sétima arte.

incomunicavel disse...

hahahahhahhahahaha

Ri de mais com o post. Foi maravilhoso, um dos mais divertidos e bem argumentados que já li sobre o assunto.

mesmo você mesmo se perdendo e acabando por ser racista..hhahaha