sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Bravura indômita (TRUE GRIT) (2010)


Quando foi anunciada a refilmagem de Bravura indômita, de 1969, e dirigida agora pelos irmãos Joel e Ethan Coen alguns acharam realmente uma escolha certa. Afinal, o original contém quase as mesmas características do cinema da dupla de diretores, então seria mais fácil para adaptar a história até com uma grande coerência. Outros acharam desnecessária outra versão do filme de 1969, pois refilmagens podem render bons filmes, mas não é todo dia que isso é provado. Em uma entrevista bem antes da estréia, Joel e Ethan Coen afirmaram corajosos não terem visto o original, para fazer uma versão mais atual! Se é verdade ou não, o mais engraçado é que eles estão certos!

Mattie Ross( Hailee Steinfeld) é uma garota de 14 anos cujo pai foi morto a sangue frio pelo covarde matador Tom Chaney (Interpretado por Josh Brolin, novamente trabalhando com os Coen). A história gira em torno de vingança, uma vingança pessoal movida pela ganância. Quando Mattie percebe que as leis do velho-oeste não irão fazer a justiça que ela esperava ao assassinato do pai, ela prefere procurar o caçador de recompensas Rooster Cogburn (Jeff Bridges) para realmente fazer justiça severa e caçar Tom Chaney o quão longe for preciso. Para capturar Chaney, o único homem que o conhece e sabe como encontrá-lo: O guarda-florestal LaBoeuf, por sentimento de dever não comprido como deveria. Personagens pré-construídos e uma trama de um típico western à moda antiga, regida pela regra básica “Matar ou morrer” válida até hoje, e se essa trama for tratada sem exageros e buscando visões cada vez mais atuais pode entreter do início ao fim, como o mais simples dos filmes.

Jeff Bridges está muito bem e convence demais como o velho astuto e que não pensa duas vezes para matar. Seus trejeitos e sotaques são os pontos chave que mais contribuem para essa impressão, assim como Matt Damon que protagoniza os melhores diálogos do filmes nas pequenas e divertidas batalhas verbais com a jovem Hailee Steinfeld. Ela é a verdadeira estrela do filme! Rouba todas as cenas em que está, e que se danem os veteranos em cena, nenhum tem o seu carisma! A garota encarna uma personagem muito rebelde, uma garota obstinada por vingança, mas que no fundo sabe que não chegará a ela sem alguma ajuda de gente mais experiente. A atriz realmente surpreende e arrasa pela seriedade do trabalho, uma marca chave dos irmãos Coen que sempre extraem as melhores interpretações dos atores. Aqui não é diferente, é notável da mesma maneira e precisão do politicamente incorreto, seja nos diálogos, seja nas situações que será mesmo que não foram inspiradas no Bravura Indômita original? Enfim, os Coen provaram com Fargo e Um homem sério, por exemplo, que não precisam de idéias de terceiros pra fazer algo bom, com a marca deles impressa no produto final. Poucos diretores têm uma habilidade natural tão fluida e impressionante para lidar com tomadas longas, utilizando todo o cenário disponível de uma forma tão fácil para a platéia se identificar com o que rola na tela. A fotografia nesse caso potencializa esse efeito, aliás, toda a parte técnica é irrepreensível por retratar de uma forma crua o dia a dia do velho oeste, desde enforcamentos há cavalgadas. Uma fidelidade necessária!

Cinema realista é muito bom. É como um quadro, pintado por cores verdadeiras e não artificiais, e se você conhece o artista é melhor ainda. Um quadro onde nos identificamos com o que é proposto, e em Bravura Indômita, esse de 2010 com estréia no Brasil dia 21 de janeiro de 2011, os temas propostos poderiam ser mais bem inseridos em um contexto irregular. Não é algo ambicioso, como Onde os fracos não têm vez, e não tem personagens idiotas e adoráveis como em Queime depois de ler. Não acho que os Coen estão se levando a sério demais depois que ganharam o Oscar, pois se isso acontecesse com eles, eles não fariam bons filmes mais!Também acho que não vale à pena comparar o filme original a essa adaptação, senão em uma comparação saudável. As propostas são diferentes, são estilos agora diferentes e que tentam se unir pela mesma história, nada mais. Os Coen não decepcionam, mas também não surpreendem o quanto poderiam, aqui. De qualquer jeito...

Vida longa ao faroeste!

NOTA: 8,5/10


Um comentário:

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Fiquei feliz com a refilmagem. Gosto muito de westerns, e pelas mãos dos irmãos Coen deve ser no mínimo inteligente.
Abraços
Parabéns pelo blog

www.ofalcaomaltes.blogspot.com