quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A origem (INCEPTION) (2010)




Porque simplificar se você pode complicar? É A origem a resposta pra essa pergunta. Nos cinemas arrecadou 825 milhões e foi a terceira bilheteria do ano. Agora, em DVD, porque o sucesso do filme iria continuar? Porque ele é diferente!

Porque simplificar se você pode complicar? Quem se perguntou isso pela primeira vez no mundo recente do cinema provavelmente foi Christopher Nolan. O cinema dele é engenho, ele não faz filmes, ele faz pirâmides construindo uma narrativa por camadas. Foi assim em toda sua filmografia explorando a mente humana. Mas acontece é que ele é o melhor no que se propõe a fazer, e pode se repetir. A origem é o ápice desse garimpeiro mental, mas não é ainda seu melhor trabalho, com certeza.

Um filme sobre sonhos é a desculpa perfeita pra Nolan se sentir como uma criança em uma loja de doces, e fazer o que quer e da melhor maneira possível. O diretor de Amnésia se preocupa em deixar as regras claras de seu mundo desde o começo, através de fatos ou em diálogos de seus personagens. Personagens, aliás, feitos especialmente para explicar o filme, e isso não o deixa auto-explicativo. Genial, é sim. Acompanhamos o planejamento de um golpe dentro de um sonho, enquanto se aprende o essencial de cada personagem também. Na hora de pôr o golpe em prática, termina o ensaio e começa o improviso. O que é sonho, o que é realidade, isso nós sempre sabemos... Até certo ponto.

Em um mundo onde se pode invadir os sonhos e há técnicas pra isso, um grupo de ladrões especializados nisso se vê tentado a fazer algo milionário e ilegal, claro: Em vez de roubar idéias como eles geralmente fazem, chegou a hora de inverter isso implantando uma idéia no cérebro de alguém, por razões financeiras e pessoais. Dom Cobb (DiCaprio) é o centro da trama, um homem amargurado que vive um dilema íntimo por não permitir que o seu passado seja esquecido. Apesar disso, Ariadne é a nossa representante na trama. Ela é a garota curiosa com os planos ambiciosos de Cobb e sua equipe formada por profissionais em penetrar nos labirintos da mente humana. E por incrível que pareça, Christopher Nolan deixa tudo bem explicado para nós, mas nos obriga a prestar atenção para não perder nenhum detalhe paralelo que à primeira vista parece oculto, mas que vai fazer a diferença no produto final. Sim, é um filme matemático, quase! Um blockbuster inteligente e que nos faz pensar, coisa rara hoje em dia. Quando foi a última vez que você teve essa experiência?

A trilha sonora é o principal primor técnico aqui. Os efeitos são usados com sabedoria, assim como foram usados em Batman- O cavaleiro das trevas,e são usados apenas para contar uma história. E não é pra isso que eles servem?! A direção de arte ajuda muito, com seus cenários apropriados ao mundo imprevisível dos sonhos, mas é o compositor Hans Zimmer que faz o principal ponto positivo técnico desse filme com sua trilha uni presente e que condiz com o que é projetado na tela. Realmente, um trabalho ímpar em 2010, comparável talvez à trilha de Alexandre Desplat, em O escritor fantasma. Ambos os compositores foram lembrados pelo Globo de ouro 2011. Não preciso nem falar que foi merecido.

Fico pensando o que aconteceria se A origem fosse lançada há anos atrás, talvez na década de 80. Qual seria a reação da platéia sobre o filme? Ele seria visto hoje em dia como uma obra-prima? Nolan já estaria consagrado no hall supremo de Hollywood? Tudo bem, isso soa blasfêmia para algumas pessoas. E depois de assistir A origem, soa blasfêmia pra mim ao dizer o contrário.

Talvez as pessoas estejam acostumadas à filmes, roteiristas e diretores que fazem mal ao cinema, e se esqueceram o que é pagar um ingresso para pensar enquanto se diverte. Talvez seja esse o motivo para alguns não gostarem ou não tenham maturidade intelectual para entender o filme, e estão lá apenas para ver dois marmanjos lutar em um corredor em gravidade zero. Tenso!

Mas essa é outra tangente, que Nolan desde o seu primeiro trabalho tenta perfurar: A simplicidade, que para ele não combina com um roteiro esperto e bem feito. O filme quer dizer alguma coisa? Não. É um Grande truque esperando pra ser desvendado...

E enquanto espera, quem se diverte é a platéia. Nós. Pelo menos uma coisa é certa: A origem fica na mente de quem assiste após os créditos finais, seja no cinema ou agora em DVD. Fato.

NOTA: 10/10


3 comentários:

Rafael W. disse...

Uma das obras-primas de 2010. Fantástico!

RoDolFo disse...

Eu não sinto tanto tédio assistindo um só filme desde hum...Hannah Montana - O Filme.. o/

Júlio César Filho disse...

"O filme quer dizer alguma coisa? Não. É um Grande truque esperando pra ser desvendado..."

Definição perfeita!!